
Meu pai foi um homem simples.
Mas dedicado.
Filho de uma dona de casa e um caminhoneiro, irmão de taxista e balconista, mudou o patamar (para não dizer "casta", já que oficialmente não existe no Brasil) de sua família.
Tornou-se doutor: Dr. Filardi. Advogado.
Depois: juiz de direito.
Mandou prender o Fleury, chefe do Esquadrão da Morte.
Arquivou o processo da Elis Regina, "em respeito à mãe, mulher e artista".
Transformou nossa casa em local de trabalho para muitos albergados que não conseguiam emprego para manterem sua liberdade condicionada: o Pelezão, estelionatário, era nosso jardineiro e mestre na arte de ensinar a nó, eu e minha irmã, a empinar pipas; a Vanda, era nossa faxineira. E tantos outros.
Um homem que cresceu com seu trabalho. Que soube, além de trabalhar, construir nome, carreira e bens.
Um homem que, desfazendo um casamento de 32 anos, preocupava-se em "deixar bem a esposa, sem que nada lhe faltasse". Inclusive no futuro. Tinha a visão da responsabilidade de ser provedor e coração para manter-se assim, mesmo depois de acabado o amor.
Um homem que deixou filhas, esposa e irmãos, cada um do jeito cabível, amparados.
Eu agradeço ao meu pai todo o empenho de sua vida.
Sua preocupação com suas filhas. Com sua esposa.
O exemplo de Homem, com H maiúsculo, que ele me deu.
Agradeço seu apoio emocional e, principalmente hoje, seu amparo material.
É na casa que ele me deixou que moro e outras coisas mais que dele ainda vêm.
Por tudo.
Acima de tudo pelo exemplo que posso passar, para meus filhos.
Homens. Que desejo, com H maiúsculo.




